A situação e os rumos do Jornalismo On-line

 

Por Larissa Alencar

 

Depois do fim do inevitável mito da web como ameaça a outros veículos de comunicação e da implosão do super-otimismo que via a rede como meio no qual a proliferação de novos modos de produção jornalística seria infinita, chega-se a um novo impasse: frustração pela constatação da continuidade do que já vinha sendo desenvolvido por outras mídias ou paciência para esperar que o futuro traga as inovações tão sonhadas e que pouco apareceram até o momento?

Por Flávia Barros

Como ele cresceu!

 

Difícil tarefa a de falar e analisar qual o "estado" do jornalismo digital na atualidade e mais complicado ainda tentar "prever" qual será o futuro do caçula da família dos meios de comunicação.

 

Passada a euforia, as expectativas e todas as previsões fantásticas acerca da comunicação através da rede mundial de computadores o que se vê no meio, que hoje já pode ser considerado um adolescente, é uma estabilidade aparentemente mantida por uma padronização de conteúdos e formatos.

 

Falta identidade, produção local. Porque as características textuais e todos os signos que envolvem o cyberespaço estão provando que vieram para ficar, que já têm um espaço garantido na vida das pessoas. Mas não basta seguir um padrão, apoiar-se nas "muletas" das agências de notícias, seguir tão obedientemente as regras do "pai", o carro-chefe do sistema de comunicação a que o portal está vinculado.

 

Afinal, qual o adolescente que acata cegamente as ordens dos pais? A produção do webjornalismo não pode ter a explosão de energia e as incertezas de uma criança, nem a rebeldia de um adolescente. Tem de procurar o que ainda falta, domar os impulsos e encontrar o equilíbrio entre o que provou funcionar - linguagem, formato, conteúdo, signos - e as necessidades de inovação. Só assim, o veículo de comunicação que mais rápido conquistou o mundo, poderá andar com suas próprias pernas.

 

 

Por Tiago Maciel

Jornalismo On-line: de onde viemos e para onde vamos?

 

Atualmente, o jornalismo on-line é o meio de comunicação mais usado por aqueles que tem pressa em saber as notícias. Devido a falta de tempo disponível para se informar, muitos lêem as notícias na internet, por serem elas relativamente curtas e de fácil leitura. Também pesa a questão da possibilidade de acessar notícias anteriores apenas com o clique de um mouse, para melhorar na interpretação de um determinado fato. As notícias publicadas na rede podem ser lidas imediatamente após determinado fato ocorrer, conferindo-lhe uma maior agilidade na divulgação dos acontecimentos. Por essas e outras, o jornalismo na web vem crescendo cada vez mais na preferência do público.

 

Apesar de todas as vantagens, o jornalismo on-line ainda precisa percorrer um longo caminho. São poucas as pessoas que possuem ou que têm acesso à um computador e ainda menos pessoas dispõem de acesso à internet. Enquanto o jornalismo impresso ou feito pelo rádio e pela TV, são mais populares por causa da facilidade em obter os meios correspondentes, o jornalismo on-line ainda está restrito a um seleto grupo de privilegiados que, na maior parte do tempo, nem se dão conta disso.

Por João Victor

Reféns da mídia-mãe

 

Passada a expectativa criada na metade da década de 1990, durante o início da popularização da Internet, de que a Web seria a solução para a democratização da informação, quebrando o monopólio dos grandes meios de comunicação; estudiosos da comunicação digital e internautas mais atentos podem perceber que os principais noticiários da rede passaram (ou continuam) a ser propriedade de tradicionais grupos da mídia convencional.

 

Além de pertencer aos mesmos grupos de comunicação, muitos portais brasileiros ainda tem sua atuação e independência limitada (muitas vezes por razões econômicas), sendo em muitos momentos meros reprodutores para a Internet de notícias produzidas por veículos tradicionais e não voltados para a rede.

 

O Universo On-Line (UOL), que talvez seja o principal portal de notícias da Internet brasileira, foi um primeiros veículos da Web a enviar repórteres para grandes coberturas jornalísticas, principalmente em eventos esportivos. No entanto, boa parte do conteúdo do site continua sendo extraído dos outros veículos da editora Abril, como a revista Veja e o jornal Folha de São Paulo. Não há nada de errado em ter acesso a essas informações pela Internet, mas a falta de grandes portais com uma independência maior preocupa, além de frustrar os idealistas proféticos da Web.

 

Em Pernambuco, essa realidade é ainda mais clara. Os três maiores portais do Estado são vinculados a maior rede de Televisão local (e nacional) e aos dois maiores e mais tradicionais jornais impressos. É verdade que esses portais já permitem ao leitor (ou telespectador) da mídia tradicional explorar e ampliar a informação que acabou de ler ou assistir (através de enquetes, pesquisas, matérias relacionadas, vídeo, áudio, animações, etc.). Por outro lado, percebe-se que na maioria das vezes esse veículos continuam pautados pelas sua mídia-mãe.

 

Essa limitação tende a ser modificada, dialeticamente, na medida em que a Internet seja realmente popularizada e os portais passem a ter uma importância maior dentro dos seus grupos de comunicação. No entanto, para que isso seja revertido em uma maior democratização da Informação é necessário que haja muito mais mudanças sociais do que tecnológicas.

Por Eduardo Chianca

Como está e para onde vai o jornalismo on-line?

 

O Jornalismo on-line, não dá para negar, está montando uma nova forma de fazer notícia. No sentido que ele une as três formas básicas: TV, rádio e impresso; e também na não-linearidade do texto.

 

Apesar de ser um novo meio, não foge da agenda midiática. Talvez por sofrer da mesma patologia enfrentada pelas redações de outros meios, muito trabalho para pouco jornalista, fica difícil criar novas linguagens, novas formas de produção.

 

Com o avanço da Internet, com o aumento ao acesso e o barateamento da banda larga, os passos seguidos até agora pelos jornalistas da web indicam que o meio vai crescer e a gama de produção de notícias, de diversos formatos, também se expandirá.

 

Os leitores também. Antigamente, só para ilustrar, a preocupação era que todos estavam acostumados a ler com o texto na horizontal, nos livros, hoje, é possível encontrar pessoas que lêem verticalmente e ainda reclamam de ter que ler numa mesa.

 

Eu não quero me adiantar em dizer que os leitores dos jornais impressos irão migrar para a web, mas apenas apontar que eles buscarão cada vez mais a notícia on-line, pela ânsia de ver o novo com velocidade.

 

É preciso encontrar o novo, o diferente. O “a mais” da Internet, para oferecer um jornalismo que possa ir além do lead nosso de cada dia. Eu não sei como, acho que ninguém também sabe ao certo... Você por acaso saberia?

 

Por Dimitri Acioly

Jornalismo on-line teoria e prática

 

O jornalismo on-line surgiu prometendo uma redefinição do papel da mídia tradicional. A partir da internet, é possível criar textos interativos, cruzar mídias — vídeo, redação, gráficos e áudio — e disponibilizar grande quantidade de informação sem se preocupar com espaço ou tempo.

 

A primeira dificuldade surgiu com a leitura. Os olhos cansam mais rapidamente na tela do computador e os internautas, diante do imenso volume de informação na web, não parecem dispostos a dedicar mais do que alguns segundos a um único texto. 

 

Em vez de conquistar o leitor com abordagens instigantes, os jornalistas de web disponibilizam notas fast-food — rápidas de ler e rasas de conteúdo. A produção das matérias específicas para o meio dá lugar ao empacotamento da notícia, que vem pronta das agências.

 

As redações digitais de hoje estão carnalmente vinculadas às corporações midiáticas — o que inviabiliza uma liberdade maior. Afinal, não é possível para o JC Online dar um furo na edição impressa.

 

Para que o jornalismo digital deslanche, é essencial número maior de jornalistas dedicados exclusivamente aos sites. Cabeças novas para recriar o conteúdo já disponível na mídia tradicional e pensar enfoques possíveis apenas na internet.

 

Talvez com a popularização da web — ainda elitizada no Brasil — os grandes grupos invistam mais no webjornalismo e tornem meu desejo realidade.




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