Acerca da verdade
O próprio Jesus silenciou quando Pilatos lhe fez esta pergunta categórica: “O que é a verdade?”. Possivelmente ele soubesse alguma coisa a esse respeito, já que pregava tanto sobre o amor ao próximo e até mesmo aos inimigos, mas talvez julgasse que o governante romano não fosse capaz de compreender a profundidade da questão. Azar nosso, que ficamos sem saber qual poderia ter sido a resposta para uma pergunta tão intrigante.
Mas se a verdade é algo absoluto, para Buda ela tem que ser alcançada de maneira relativa, pois ele ensinava que há doutrinas que podem ser úteis, mas depois de alcançarmos um certo grau de desenvolvimento, teríamos que deixá-las de lado, sem nos apegarmos a elas. É como se a doutrina representasse uma tábua que alguém usa para chegar ao outro lado de um rio. Terminado o trajeto, não se precisa mais dela.
Não é fácil exemplificar este ensinamento de Buda. Mas o fato é que muitas pessoas, como dizia o sociólogo Max Weber, precisam acreditar em certos ensinamentos dogmáticos (às vezes por algum tempo, às vezes durante toda a vida) para se afastarem de situações que possam prejudicá-las. Por exemplo, se o sujeito acredita no inferno, jamais terá a coragem de assassinar alguém, mesmo se for mau. Consequentemente, não correrá o risco de ir parar da cadeia.
Por certo, jamais poderemos saber o que é a verdade sem primeiro experimentá-la, senti-la pulsando em nossas próprias entranhas. Mas se ela é dura e dolorosa, como diz o ditado, então precisamos de algo que a torne mais palatável. Gente, eu acho que é necessário ter muito amor no coração para suportar certas verdades.
Eu sei que praticar o amor nesse mundo é uma tarefa árdua, já que vivemos na lei da selva, e muitas vezes nossa luta pela sobrevivência nos leva a sermos indiferentes aos problemas dos outros. Mas precisamos de utopias para viver. É necessário sonhar a realidade para que ela melhore.
Crônicas de Porto Seguro
A cidade de Porto Seguro, localizada no litoral sul da Bahia, é o destino turístico escolhido por praticamente todos os colégios brasileiros para hospedar seus alunos do 3º ano do Ensino Médio no mês de julho. Mas de vez em quando, ela também é sede de encontros nacionais de estudante universitários.
Em 2005 foi a vez do Encontro Nacional dos Estudantes de Administração (ENEAD) e do Congresso Nacional de Turismo, Administração e Hotelaria (CONTAH). Ao contrário das viagens dos alunos do Ensino Médio, que só vão a Porto Seguro pra ter uma semana de farras intermináveis, os encontros dos universitários têm palestras, workshops e oportunidades de melhorar o conhecimento acadêmico dos alunos. No entanto, o que é igual em ambos os casos são os interesses dos alunos: festas e mais festas!
Quem diz que vai pra um congresso de estudantes apenas pra aprender alguma coisa está mentindo descaradamente. As atitudes dos alunos falam mais alto. E não é de se estranhar, pois numa cidade que tem atrações como o Axé Moi, a Ilha dos Aquários, o Barramares e tantos outros estabelecimentos, além de diversas atrações históricas, é impossível não pensar
Mas isso não é o pior. Cada um faz o que quiser com seu tempo, ninguém é obrigado a assistir palestras chatas quando pode estar rebolando ao som do tradicional axé baiano e provando bebidas locais como “capeta”, “inferno”, “adrenalina”, entre tantas outras, não é mesmo? O que REALMENTE incomoda é o que pode ser visto à noite, nas festas que acontecem na cidade.
Você está parado (ou dançando, tanto faz) no meio da multidão e olha pra uma pessoa do seu lado e a acha interessante. Enquanto você está perdido em pensamentos, alguma outra pessoa chega, a beija e depois ambos vão para lados opostos. Você fica com cara de “hã?” e percebe que isso está rolando em todos os cantos do local. Tudo bem, você foi avisado de que seria assim, mas não tinha idéia de que era desse jeito que tudo acontecia. Isso é certo? Parece tão sem significado, apenas abordar a pessoa, trocar no máximo duas frases com ela, beijá-la e depois ir embora. Nada contra o “ficar”, mas aí já é exagero.
Então você se pergunta o porquê das pessoas serem assim. Com que finalidade elas fazem isso? Pra contar depois aos amigos que “pegou 12 meninas na mesma noite” ou que “ficou com um gaúcho lindo, um paraense gostosão e um paulista fofinho, mas jamais com um nativo”? Não dá pra satisfazer as necessidades com apenas uma pessoa? Que coisa mais vazia, sem sentido, sem raison d’etre.
|
|||