Internetês pra q, neh? Nóis sabemos ixcrever
Vcs jah ouviram falar. Jah usaram tbm. E acho q ateh jah se confundiram e escreveram errado num texto q naum era de Internet. É o “Internetês”. Esta nota a seguir saiu na CartaCapital da semana passada. No nosso último (?) encontro, discutimos um pouco sobre o uso do Internetês. Não estou muito certo da validade desse blog como campanha contra o Internetês, mas também tenho um pé atrás com o uso exagerado desses termos. Confesso que muitas vezes me incomodo com algumas palavras que eu não consigo sequer entender. E você, o que acha? Comente!
ABAIXO O “INTERNETÊS”!
O Eu Sei Escrever é o site de uma campanha com objetivo muito nobre que também é defendido por esta coluna: “reduzir a quantidade de erros propositais” escritos por internautas em bate-papos ou em programas de mensagens instantâneas, como substituir “aqui” por “aki” ou “não” por “naum”. Sugerimos que a campanha entre em contato urgentemente com os responsáveis pela sessão Cyber Movie no canal Telecine Premium, que usa o “internetês” nas legendas.
Os Blogs, a Escrita e os Jovens
As novas gerações estão descobrindo a escrita na tela dos microcomputadores. Estão descobrindo que a escrita pode ser uma forma de liberdade. O meio eletrônico parece perfeito para a volatilidade de sonhos, desejos e experiências. Da mesma forma, condiz com essa zona ainda fluida entre o surgir e o desaparecer, a timidez e a extroversão, entre o ser conhecido e o anonimato, entre o confessar-se humilde e o orgulho de ter conquistado algumas verdades. A Internet, com suas disponibilidades de usos e ferramentas, vai aos poucos criando novas práticas interacionais. No ambiente digital, com a rápida facilidade de progressão que este proporciona, o jovem ganha logo cedo uma carta de cidadania que o mundo real tarda a lhe conferir.
A onda dos blogs — sobre a qual poucos se debruçaram para refletir — parece que veio para ficar. É nos blogs que se dá mais uma ocasião de melhor se observar as novas práticas, os novos usos e as ainda pouco estudadas características da linguagem escrita em ambiente digital. Se, como afirmam vários lingüistas, a escrita tem um lugar central na Internet, há — quem sabe? — também que se mencionar uma espécie de retorno triunfal do texto escrito como locus de atenção. O medo da escrita — com todas as sombras lançadas por gramáticos, professores e informatas desavisados — é substituído por uma sedução da escrita. Ao criar seu blog, o adolescente, sem descuidar do ambiente gráfico-visual, redescobre a mediação da palavra escrita e, mais do que isso, experimenta como essa palavra pode ser espelho e formadora de sua própria personalidade. A praticidade com que se constroem blogs e a facilidade, oferecida por diversos sites, de se ter um lugar na Web atraem os que não têm tempo a perder estudando a linguagem técnica da informática.
Ao que parece, o blog faz um recorte peculiar — mais um, entre tantos — no vasto ambiente digital. Não se pode esquecer que o micro, com todos os seus recursos, é uma multiplicidade de meios e traz implícita uma particular estética. Ao contrário dos antigos diários — com os quais os blogs costumam ser comparados —, estes últimos se apresentam mais diversos entre si, libertos da linearidade do manuscrito ou da página datilografada. Como em outros lugares do mundo digital, há uma pressão e um labor estéticos e um novo arranjo organizacional. Noutras palavras, a interface gráfica, com maiores ou menores sucessos, é um imperativo da ecologia digital. Aqui, talvez, uma nova liberdade busque desesperadamente o caminho da beleza. Certos blogs até parecem com os antigos diários — e isso é uma opção subjetiva e menos usual —, mas a diferença central entre os dois é que no diário você escreve para se ler e no blog para que os outros o leiam. A alta interatividade entre o leitor e o autor é uma marca do texto intrinsecamente ligada ao meio digital, inimaginável nos veículos impressos. Abaixo de cada post (cada mensagem postada), o blog dispõe de um link para quem quiser comentar, criticar, elogiar, etc. Os próprios comentários podem servir de mote para outros textos.
Mas, voltando aos blogs enquanto textos, também podemos percebê-los como um efervescente laboratório lingüístico-literário. E é justamente aí que se pode vislumbrar a gestação do novo. Teste, ensaio, experimento, transgressão — nomes que ecoam liberdade e criação — são outras tantas palavras para blog. Todavia, no meio dessa massa volátil, há uma fermentação — algo de inovador está acontecendo. Não por acaso, alguns blogs estão virando livros impressos e, de alguma forma, literatura, para que atinjam um outro público. Não obstante isso, seria temerário afirmar que tais livros sejam simples corolários de um blog bem-sucedido. Não seriam uma mera transposição; seriam, sim, uma metamorfose, o que implica reconhecer as características próprias ao meio impresso.
O melhor que o blog parece trazer para a prática da língua é esse híbrido de ludicidade e de personalismo, esse compromisso com a sua própria imanência. Em meio ao oceano coletivo e tantas vezes anônimo da Web, a subjetividade dos blogs aflora como ilhas em que tanto a fantasia como a mais radical verdade crescem como uma luxuriante vegetação.
Paulo Gustavo é Mestre em Teoria da Literatura e escritor.
Dimitri Acioly é poeta e estudante de jornalismo.
Ambos somos blogueiros.
Pedala, Robinho!!
A nova moda na sociedade brasileira vem de uma expressão usada pelo locutor da Rede Globo de TV Galvão Bueno para homenagear os dribles de Robinho, jogador do Santos e da Seleção Brasileira. Uma “pedalada” consiste em passar as pernas, alternadamente, por cima da bola na frente do adversário e finalizando com um drible. Uma jogada bonita.

Outra “homenagem” a esse jogador foi feita pela equipe do Pânico Na TV, exibido pela Redetv. Nesse quadro, um anão negro faz o papel de Robinho, vestido com o uniforme da Seleção e dando umas “pedaladas”. Até aí tudo bem, mas o problema é que ele dá as pedaladas logo após uma pessoa parodiando o apresentador Milton Neves dar uma tapa na sua nuca e dizer a célebre frase “Pedala, Robinho!”
O quadro virou febre nacional e é muito comum encontrar gente por aí fazendo gracinha e falando a frase aos quatro ventos. Até o próprio Robinho já virou alvo da brincadeira, sendo sacaneado pelos colegas da Seleção. Mas achou tudo muito engraçado. As pessoas que têm MSN Messenger (ou seja, todo mundo) podem até achar emoticons temáticos do “pedala, Robinho!”. Mas o que os anões acham disso?
Não duvido nada que muitos dos nossos “amigos verticalmente modestos” já foram alvos de um “pedala, robinho”. No começo, devem compartilhar a opinião de que é tudo muito engraçado, mas depois de um tempo isso cansa. Toda brincadeira que é repetida várias vezes acaba por perder a graça. Não é por que um anão não se importa de se humilhar para aparecer na televisão que todos os outros também o fariam.
Um “pedala, Robinho!” pode ser engraçado, mas a repetição a brincadeira a faz perder a graça. Além de ser um desrespeito aos anões. Mas a parte boa disso tudo é que quanto mais uma brincadeira é feita, mais rapidamente as pessoas não acharão graça. É só ver o caso do “sanduíche-iche”.
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