Manifesto político do diretório
As próximas eleições para diretório acadêmico do curso pela primeira vez em anos não será de chapa única. Estou lançando uma concorrente à esquerda da esquerda — que é direita no Brasil —, cuja proposta contemplaria bem universidades públicas pelo País a fora: o D. Nada.
A base filosófica do conselho gestor é de não fazer nada — espécie de niilismo construtivista. Na prática, o projeto pode parecer reacionário — já que os DAs em atividade hoje seguem essa linha — e apolítico, mas não é. Em vez de não fazerem nada para participar de toda sorte de passeatas, carreatas, comícios e bocas de urna, o futuro diretório usufruirá o ócio de forma incomum: assistindo e interagindo nas aulas.
Além de prestigiarem disciplinas e professores, os integrantes do D. Nada incentivarão os demais estudantes a agirem da mesma maneira. Fica terminantemente proibida a interrupção dos docentes para dar avisos que interessam apenas ao próprio diretório. Por exemplo, votações de chapa única para congressos sem relevância, mas que dão um bom passeio. Afinal, o D. Nada deliberou que não fazer nada fora da cidade em que o curso se situa prejudica o desempenho pedagógico.
Nosso D. Nada entende que a universidade pública — “gratuita e de qualidade” — precisa interagir com a comunidade, movimentos sociais e sociedade civil organizada. No entanto, não admite que seus colaboradores sacrifiquem o curso transformando o cotidiano de aulas e estudo em “agenda social”. Nem que finjam agir ativamente no social, enquanto coçam o saco e batem papo no MSN, negligenciando o dinheiro público investido para que ele estude.
O conselho gestor percebe a sala de aula como locus de discussão política, cultural e de produção do conhecimento, que vem sendo sistematicamente esvaziado pelo movimento anti-estudantil. Não adianta reclamar da estrutura se não vai ter ninguém dentro para aproveitar as mudanças.
UAL é o grande vencedor na primeira rodada da Paulo Francis
A primeira rodada da 3ª edição da Copa Paulo Francis, reunindo os estudantes de Jornalismo da UFPE, foi aberta com a vitória do campeão do ano passado, OBC, sobre os calouros do ETC por 5x1. O jogo iniciado às 3:00h da tarde do último domingo, 22, no Clube Português, foi marcado pela disputa da qual o meia Caio, do ETC, saiu sangrando. Depois de cinco minutos de paralisação, o meia retornou recuperado e o jogo foi reiniciado.
No segundo jogo do dia se enfrentaram o 3° colocado em 2004, o time da PIA, e a fusão dos antigos MAA e VTU, o UAL. Mostrando determinação e bom humor, a união deixou claro a que veio vencendo por 11x4. A torcida organizada da UAL, única em campo, certamente fez a diferença.
O evento contou com a presença do professor Alfredo Vizeu e foi considerado um sucesso tanto pela quantidade de gols quanto pelo entusiasmo dos jogadores.
No próximo domingo, o UAL e o OBC farão o primeiro jogo às 3:00h, seguidos pelos desesperados ETC e PIA às 4:00h. Todos os jogos da corrida pelo troféu Beto Lago serão realizados nesses horários, aos domingos, no Clube Português.
Comemoração do UAL
O melhor do Brasil é o brasileiro (?)
Em qualquer lugar do mundo, o melhor é o povo. Pois o que é uma nação se não o seu povo? É uma questão geopolítica, econômica. Digamos que a afirmação do título acima é por demais generosa, porque, convenhamos, ela quer exaltar uma realidade que, analisada por uma visão mais crítica, não existe. O que é o brasileiro? Por que é tão exaltado? Se ele é tão bom, por que o Brasil não reflete isso?
Basta dar uma olhadinha no quintal dos outros para perceber que algo está errado na afirmação “O melhor do Brasil é o brasileiro”. Enumerando o que o senso comum relacionaria a um povo que causa inveja por ser o melhor de sua nação, teríamos um povo que lê, que discute, que tem senso crítico, que sabe ao menos assumir que o que escuta não presta, que repudia a exploração midiática, etc. Bom, o brasileiro não lê. Não adianta dizer “isto está mudando”, porque a burguesia que lê não reflete a realidade brasileira. O povo brasileiro não só consome como exporta Bonde do Tigrão, e coisas afins. Não adianta dizer “olha aí, se exporta é porque os outros também gostam!”, só um detalhe: os “gringos” sabem muito bem jogar isso fora depois que passa o efeito da caipirinha.
A cultura brasileira é tão discutida, mas nunca se chegam a um consenso do que ela seja. O fato é que a cultura do povo brasileiro, apesar de quererem empurrar isso goela abaixo, não é o maracatu, não é Machado de Assis, muito menos bossa nova. Quem é Gilberto Freyre? O brasileiro não é se não uma criatura inventada, dormindo é Tom Jobim, acordado é “as cachorra”, sonhando é Tarsila do Amaral, no metrô ao meio-dia é “as preparada”, no postal é Manuel Bandeira, na repartição pública é uma pocotó sonolenta. A cultura do povo brasileiro é uma invenção turísitca, publicitária. Por que não dizer conformista? Forçar acreditar no Brasil da propaganda é desrespeitar aquilo que se vive no Brasil. O povo crê por não ter escolhas, ele não sabe o que se passa além das arquibancadas do “Fla-Flu”.
O melhor do Brasil é o “ziriguidum” da mulata. É o sinal vermelho furado com “toda razão”. Pra frente Brasil, que é pra frente que se anda. Pra frente e pra trás, mexendo a cabecinha, o baile todo! O melhor do Brasil é o brasileiro? Claro que sim! Afinal, o que é uma nação se não a invenção de seu povo?
Kisney: a “perversão” vira filme
por João Ricardo
O filme Kinsey – Vamos Falar de Sexo, em exibição nos cinemas, mostra o impacto que o biólogo Alfred Kinsey causou na sociedade americana dos anos 40 e 50 com seus dois livros, Comportamento Sexual no Macho Humano e Comportamento Sexual da Fêmea Humana, ambos um tapa na cara do puritanismo reinante na época.
Kinsey baseava suas pesquisas não só em entrevistas, mas também em experiências práticas de estimulação sexual. Chama a atenção a cena em que uma senhora de mais de sessenta anos é estimulada por um dos assistentes dele. Um dos entrevistados foi o seu próprio pai, um pastor protestante bastante rígido em seus princípios. No depoimento ele revela que teve que usar uma espécie de cinto de castidade masculino aos dez anos, para resistir à tentação de se masturbar.
As pessoas geralmente tinham, e ainda têm, muitas dúvidas sobre sexo. O pesquisador dedicava-se a esclarecê-las. Por exemplo, muitos acreditavam que sexo oral inibia a fertilidade. Ele ajudou a desfazer mitos, como o de que o homossexualismo era doença. Ele próprio se descobre bissexual.
O biólogo Alfred Kinsey certamente ajudou a criar a liberação sexual dos anos 60, quebrou vários tabus sexuais, fez a sociedade olhar para dentro de si mesma e rever seus valores com mais honestidade.
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