A situação e os rumos do Jornalismo On-line
Por Larissa Alencar
Depois do fim do inevitável mito da web como ameaça a outros veículos de comunicação e da implosão do super-otimismo que via a rede como meio no qual a proliferação de novos modos de produção jornalística seria infinita, chega-se a um novo impasse: frustração pela constatação da continuidade do que já vinha sendo desenvolvido por outras mídias ou paciência para esperar que o futuro traga as inovações tão sonhadas e que pouco apareceram até o momento?
Por Flávia Barros
Como ele cresceu!
Difícil tarefa a de falar e analisar qual o "estado" do jornalismo digital na atualidade e mais complicado ainda tentar "prever" qual será o futuro do caçula da família dos meios de comunicação.
Passada a euforia, as expectativas e todas as previsões fantásticas acerca da comunicação através da rede mundial de computadores o que se vê no meio, que hoje já pode ser considerado um adolescente, é uma estabilidade aparentemente mantida por uma padronização de conteúdos e formatos.
Falta identidade, produção local. Porque as características textuais e todos os signos que envolvem o cyberespaço estão provando que vieram para ficar, que já têm um espaço garantido na vida das pessoas. Mas não basta seguir um padrão, apoiar-se nas "muletas" das agências de notícias, seguir tão obedientemente as regras do "pai", o carro-chefe do sistema de comunicação a que o portal está vinculado.
Afinal, qual o adolescente que acata cegamente as ordens dos pais? A produção do webjornalismo não pode ter a explosão de energia e as incertezas de uma criança, nem a rebeldia de um adolescente. Tem de procurar o que ainda falta, domar os impulsos e encontrar o equilíbrio entre o que provou funcionar - linguagem, formato, conteúdo, signos - e as necessidades de inovação. Só assim, o veículo de comunicação que mais rápido conquistou o mundo, poderá andar com suas próprias pernas.
Por Tiago Maciel
Jornalismo On-line: de onde viemos e para onde vamos?
Atualmente, o jornalismo on-line é o meio de comunicação mais usado por aqueles que tem pressa em saber as notícias. Devido a falta de tempo disponível para se informar, muitos lêem as notícias na internet, por serem elas relativamente curtas e de fácil leitura. Também pesa a questão da possibilidade de acessar notícias anteriores apenas com o clique de um mouse, para melhorar na interpretação de um determinado fato. As notícias publicadas na rede podem ser lidas imediatamente após determinado fato ocorrer, conferindo-lhe uma maior agilidade na divulgação dos acontecimentos. Por essas e outras, o jornalismo na web vem crescendo cada vez mais na preferência do público.
Apesar de todas as vantagens, o jornalismo on-line ainda precisa percorrer um longo caminho. São poucas as pessoas que possuem ou que têm acesso à um computador e ainda menos pessoas dispõem de acesso à internet. Enquanto o jornalismo impresso ou feito pelo rádio e pela TV, são mais populares por causa da facilidade em obter os meios correspondentes, o jornalismo on-line ainda está restrito a um seleto grupo de privilegiados que, na maior parte do tempo, nem se dão conta disso.
Por João Victor
Reféns da mídia-mãe
Passada a expectativa criada na metade da década de 1990, durante o início da popularização da Internet, de que a Web seria a solução para a democratização da informação, quebrando o monopólio dos grandes meios de comunicação; estudiosos da comunicação digital e internautas mais atentos podem perceber que os principais noticiários da rede passaram (ou continuam) a ser propriedade de tradicionais grupos da mídia convencional.
Além de pertencer aos mesmos grupos de comunicação, muitos portais brasileiros ainda tem sua atuação e independência limitada (muitas vezes por razões econômicas), sendo em muitos momentos meros reprodutores para a Internet de notícias produzidas por veículos tradicionais e não voltados para a rede.
O Universo On-Line (UOL), que talvez seja o principal portal de notícias da Internet brasileira, foi um primeiros veículos da Web a enviar repórteres para grandes coberturas jornalísticas, principalmente em eventos esportivos. No entanto, boa parte do conteúdo do site continua sendo extraído dos outros veículos da editora Abril, como a revista Veja e o jornal Folha de São Paulo. Não há nada de errado em ter acesso a essas informações pela Internet, mas a falta de grandes portais com uma independência maior preocupa, além de frustrar os idealistas proféticos da Web.
Em Pernambuco, essa realidade é ainda mais clara. Os três maiores portais do Estado são vinculados a maior rede de Televisão local (e nacional) e aos dois maiores e mais tradicionais jornais impressos. É verdade que esses portais já permitem ao leitor (ou telespectador) da mídia tradicional explorar e ampliar a informação que acabou de ler ou assistir (através de enquetes, pesquisas, matérias relacionadas, vídeo, áudio, animações, etc.). Por outro lado, percebe-se que na maioria das vezes esse veículos continuam pautados pelas sua mídia-mãe.
Essa limitação tende a ser modificada, dialeticamente, na medida em que a Internet seja realmente popularizada e os portais passem a ter uma importância maior dentro dos seus grupos de comunicação. No entanto, para que isso seja revertido em uma maior democratização da Informação é necessário que haja muito mais mudanças sociais do que tecnológicas.
Por Eduardo Chianca
Como está e para onde vai o jornalismo on-line?
O Jornalismo on-line, não dá para negar, está montando uma nova forma de fazer notícia. No sentido que ele une as três formas básicas: TV, rádio e impresso; e também na não-linearidade do texto.
Apesar de ser um novo meio, não foge da agenda midiática. Talvez por sofrer da mesma patologia enfrentada pelas redações de outros meios, muito trabalho para pouco jornalista, fica difícil criar novas linguagens, novas formas de produção.
Com o avanço da Internet, com o aumento ao acesso e o barateamento da banda larga, os passos seguidos até agora pelos jornalistas da web indicam que o meio vai crescer e a gama de produção de notícias, de diversos formatos, também se expandirá.
Os leitores também. Antigamente, só para ilustrar, a preocupação era que todos estavam acostumados a ler com o texto na horizontal, nos livros, hoje, é possível encontrar pessoas que lêem verticalmente e ainda reclamam de ter que ler numa mesa.
Eu não quero me adiantar em dizer que os leitores dos jornais impressos irão migrar para a web, mas apenas apontar que eles buscarão cada vez mais a notícia on-line, pela ânsia de ver o novo com velocidade.
É preciso encontrar o novo, o diferente. O “a mais” da Internet, para oferecer um jornalismo que possa ir além do lead nosso de cada dia. Eu não sei como, acho que ninguém também sabe ao certo... Você por acaso saberia?
Por Dimitri Acioly
Jornalismo on-line teoria e prática
O jornalismo on-line surgiu prometendo uma redefinição do papel da mídia tradicional. A partir da internet, é possível criar textos interativos, cruzar mídias — vídeo, redação, gráficos e áudio — e disponibilizar grande quantidade de informação sem se preocupar com espaço ou tempo.
A primeira dificuldade surgiu com a leitura. Os olhos cansam mais rapidamente na tela do computador e os internautas, diante do imenso volume de informação na web, não parecem dispostos a dedicar mais do que alguns segundos a um único texto.
Em vez de conquistar o leitor com abordagens instigantes, os jornalistas de web disponibilizam notas fast-food — rápidas de ler e rasas de conteúdo. A produção das matérias específicas para o meio dá lugar ao empacotamento da notícia, que vem pronta das agências.
As redações digitais de hoje estão carnalmente vinculadas às corporações midiáticas — o que inviabiliza uma liberdade maior. Afinal, não é possível para o JC Online dar um furo na edição impressa.
Para que o jornalismo digital deslanche, é essencial número maior de jornalistas dedicados exclusivamente aos sites. Cabeças novas para recriar o conteúdo já disponível na mídia tradicional e pensar enfoques possíveis apenas na internet.
Talvez com a popularização da web — ainda elitizada no Brasil — os grandes grupos invistam mais no webjornalismo e tornem meu desejo realidade.
Acerca da verdade
O próprio Jesus silenciou quando Pilatos lhe fez esta pergunta categórica: “O que é a verdade?”. Possivelmente ele soubesse alguma coisa a esse respeito, já que pregava tanto sobre o amor ao próximo e até mesmo aos inimigos, mas talvez julgasse que o governante romano não fosse capaz de compreender a profundidade da questão. Azar nosso, que ficamos sem saber qual poderia ter sido a resposta para uma pergunta tão intrigante.
Mas se a verdade é algo absoluto, para Buda ela tem que ser alcançada de maneira relativa, pois ele ensinava que há doutrinas que podem ser úteis, mas depois de alcançarmos um certo grau de desenvolvimento, teríamos que deixá-las de lado, sem nos apegarmos a elas. É como se a doutrina representasse uma tábua que alguém usa para chegar ao outro lado de um rio. Terminado o trajeto, não se precisa mais dela.
Não é fácil exemplificar este ensinamento de Buda. Mas o fato é que muitas pessoas, como dizia o sociólogo Max Weber, precisam acreditar em certos ensinamentos dogmáticos (às vezes por algum tempo, às vezes durante toda a vida) para se afastarem de situações que possam prejudicá-las. Por exemplo, se o sujeito acredita no inferno, jamais terá a coragem de assassinar alguém, mesmo se for mau. Consequentemente, não correrá o risco de ir parar da cadeia.
Por certo, jamais poderemos saber o que é a verdade sem primeiro experimentá-la, senti-la pulsando em nossas próprias entranhas. Mas se ela é dura e dolorosa, como diz o ditado, então precisamos de algo que a torne mais palatável. Gente, eu acho que é necessário ter muito amor no coração para suportar certas verdades.
Eu sei que praticar o amor nesse mundo é uma tarefa árdua, já que vivemos na lei da selva, e muitas vezes nossa luta pela sobrevivência nos leva a sermos indiferentes aos problemas dos outros. Mas precisamos de utopias para viver. É necessário sonhar a realidade para que ela melhore.
Crônicas de Porto Seguro
A cidade de Porto Seguro, localizada no litoral sul da Bahia, é o destino turístico escolhido por praticamente todos os colégios brasileiros para hospedar seus alunos do 3º ano do Ensino Médio no mês de julho. Mas de vez em quando, ela também é sede de encontros nacionais de estudante universitários.
Em 2005 foi a vez do Encontro Nacional dos Estudantes de Administração (ENEAD) e do Congresso Nacional de Turismo, Administração e Hotelaria (CONTAH). Ao contrário das viagens dos alunos do Ensino Médio, que só vão a Porto Seguro pra ter uma semana de farras intermináveis, os encontros dos universitários têm palestras, workshops e oportunidades de melhorar o conhecimento acadêmico dos alunos. No entanto, o que é igual em ambos os casos são os interesses dos alunos: festas e mais festas!
Quem diz que vai pra um congresso de estudantes apenas pra aprender alguma coisa está mentindo descaradamente. As atitudes dos alunos falam mais alto. E não é de se estranhar, pois numa cidade que tem atrações como o Axé Moi, a Ilha dos Aquários, o Barramares e tantos outros estabelecimentos, além de diversas atrações históricas, é impossível não pensar
Mas isso não é o pior. Cada um faz o que quiser com seu tempo, ninguém é obrigado a assistir palestras chatas quando pode estar rebolando ao som do tradicional axé baiano e provando bebidas locais como “capeta”, “inferno”, “adrenalina”, entre tantas outras, não é mesmo? O que REALMENTE incomoda é o que pode ser visto à noite, nas festas que acontecem na cidade.
Você está parado (ou dançando, tanto faz) no meio da multidão e olha pra uma pessoa do seu lado e a acha interessante. Enquanto você está perdido em pensamentos, alguma outra pessoa chega, a beija e depois ambos vão para lados opostos. Você fica com cara de “hã?” e percebe que isso está rolando em todos os cantos do local. Tudo bem, você foi avisado de que seria assim, mas não tinha idéia de que era desse jeito que tudo acontecia. Isso é certo? Parece tão sem significado, apenas abordar a pessoa, trocar no máximo duas frases com ela, beijá-la e depois ir embora. Nada contra o “ficar”, mas aí já é exagero.
Então você se pergunta o porquê das pessoas serem assim. Com que finalidade elas fazem isso? Pra contar depois aos amigos que “pegou 12 meninas na mesma noite” ou que “ficou com um gaúcho lindo, um paraense gostosão e um paulista fofinho, mas jamais com um nativo”? Não dá pra satisfazer as necessidades com apenas uma pessoa? Que coisa mais vazia, sem sentido, sem raison d’etre.
UFPE é pioneira em wireless
O wireless, tecnologia que não se utiliza de cabos para transmitir informação, tem sido o novo frisson dos introduzidos no mundo da informática. Promete “revoluções” no cotidiano com o desaparecimento do emaranhado de fios que nos rodeia em casa e no trabalho — para quem pode pagar uma fortuna por isso, claro.
A revista Info Exame dedicou toda uma edição (junho no 23) ao assunto. São apresentados aparelhos como celulares, notebooks, palmtops, sistemas de som e tv, entre outros. “A migração para uma sociedade sem fios anda cada vez mais rápida (....) Isso não é coisa apenas da Coréia, do Japão, da Escandinávia, dos Estados Unidos. É do Brasil mesmo”, sentencia o editorial.
Enquanto isso, no Departamento de Comunicação Social da UFPE, o problema já foi resolvido. Além do wireless, dispomos do computerless, cameraless, laboratorioless, enfim, do communicationless. Para atingirmos o allless, só falta alguns alunos desistirem da paranóia de assistir aula.
Tópicos sobre publicidade na web
Hora do Brake
Hellen Patrícia Andrade
Propaganda na web é realmente uma coisa chata e, muitas vezes tira a atenção do texto principal. Mas não é por isso que ela não está lá, para chamar a atenção do internaulta? Entretanto, o problema é que ainda não existe uma receita fixa de como propagandear na Internet. Na minha opinião (e já me entrego que não navego muito), as propagandas deveriam estar na página principal, e nos outros setores apenas ficarem por um determinado tempo e depois sumirem! Utópico? Talvez, mas em se tratando de algo ainda não definido, permito-me, pelo menos, sonhar.
Poluição cibernética
Larissa Alencar
As opções usadas atualmente para divulgação publicitária na Internet mostram as tentativas desesperadas em tornar mais aceitáveis tal "poluição cibernética" aos internautas. O sucesso dessa empreitada, no entanto, parece estar ainda a perder de vista... As propagandas, em sua maioria, ainda são recebidas como inconvenientes e irritantes.
Malditos pop-ups
Tiago Maciel
Publicidade na web pode ser irritante, especialmente os tais “pop-ups”, aquelas janelinhas inconvenientes que sempre mostram produtos que ninguém nunca irá comprar e insistem em aparecer de repente ao visitar determinado site. Mas convenhamos que, apesar de incômoda, a publicidade é necessária para que os responsáveis pelos sites possam arcar com os custos de manter suas página no ar. A não ser que os donos dos sites tenham dinheiro suficiente e não se importem em gastá-lo dessa forma.
Falta saber fazer
Eduardo Chianca
A publicidade é que mantém quase todas as mídias funcionando. Mesmo revistas que contam com seus assinantes precisam da verba de propagandas. Com a Internet não pode ser diferente. A questão é que os publicitários ainda não encontraram a melhor forma de anunciar na web. Alguns anúncios são extremamente irritantes, como os pop-ups, mas outros, como os banners, não incomodam, mas também podem não cumprir sua função.
Longo caminho
Ana Maria Maia
A publicidade na Internet ainda tem um longo caminho a percorrer. Hoje os pop-ups irritam e a receptividade dos anúncios ainda é questionada, mas as perspectivas futuras são promissoras. Várias agências procuram a especialização e cases de sucesso de publicidade na web são cada vez mais freqüentes. Lutar contra o uso de anúncios em sites não tem sentido.
Jornalistas x Publicidade
Maria Carolina Santos
Pessoas formadas em jornalismo trabalhando em agências de publicidade é algo aceitável, já que a profissão tem uma área de abrangência muito grande. Porém, isto não significa que ele esteja exercendo uma atividade jornalística e, sim, comunicacional. Afinal, o jornalista não é apenas aquela pessoa que investiga e apura, é também um redator, alguém que tem habilidade com a escrita e, como tal, pode redigir textos publicitários. Portanto, agências e assessorias não são lugares em que o profissional vai exercer a atividade jornalística mas sim certas habilidades inerentes à profissão.
A publicidade precisa encontrar a maneira certa de dar seu recado on-line
João Ricardo
Assim como o jornalismo na web ainda não encontrou sua linguagem própria, a publicidade na Internet ainda está dando seus primeiros passos. Depois do boom inicial no ano 2000, quando várias empresas investiram grandes quantias na rede mundial de computadores, os investidores voltaram à realidade. Tanto é que a fatia do bolo publicitário nacional que coube a Internet foi de 3%, no último ano. A meu ver, é preciso que os publicitários encontrem maneiras novas e criativas de anunciar. Os anúncios precisam ter formas e conteúdos que agradem o internauta e devem ser postos de modo que não forcem o possível consumidor a prestar atenção neles.
Internetês pra q, neh? Nóis sabemos ixcrever
Vcs jah ouviram falar. Jah usaram tbm. E acho q ateh jah se confundiram e escreveram errado num texto q naum era de Internet. É o “Internetês”. Esta nota a seguir saiu na CartaCapital da semana passada. No nosso último (?) encontro, discutimos um pouco sobre o uso do Internetês. Não estou muito certo da validade desse blog como campanha contra o Internetês, mas também tenho um pé atrás com o uso exagerado desses termos. Confesso que muitas vezes me incomodo com algumas palavras que eu não consigo sequer entender. E você, o que acha? Comente!
ABAIXO O “INTERNETÊS”!
O Eu Sei Escrever é o site de uma campanha com objetivo muito nobre que também é defendido por esta coluna: “reduzir a quantidade de erros propositais” escritos por internautas em bate-papos ou em programas de mensagens instantâneas, como substituir “aqui” por “aki” ou “não” por “naum”. Sugerimos que a campanha entre em contato urgentemente com os responsáveis pela sessão Cyber Movie no canal Telecine Premium, que usa o “internetês” nas legendas.
Os Blogs, a Escrita e os Jovens
As novas gerações estão descobrindo a escrita na tela dos microcomputadores. Estão descobrindo que a escrita pode ser uma forma de liberdade. O meio eletrônico parece perfeito para a volatilidade de sonhos, desejos e experiências. Da mesma forma, condiz com essa zona ainda fluida entre o surgir e o desaparecer, a timidez e a extroversão, entre o ser conhecido e o anonimato, entre o confessar-se humilde e o orgulho de ter conquistado algumas verdades. A Internet, com suas disponibilidades de usos e ferramentas, vai aos poucos criando novas práticas interacionais. No ambiente digital, com a rápida facilidade de progressão que este proporciona, o jovem ganha logo cedo uma carta de cidadania que o mundo real tarda a lhe conferir.
A onda dos blogs — sobre a qual poucos se debruçaram para refletir — parece que veio para ficar. É nos blogs que se dá mais uma ocasião de melhor se observar as novas práticas, os novos usos e as ainda pouco estudadas características da linguagem escrita em ambiente digital. Se, como afirmam vários lingüistas, a escrita tem um lugar central na Internet, há — quem sabe? — também que se mencionar uma espécie de retorno triunfal do texto escrito como locus de atenção. O medo da escrita — com todas as sombras lançadas por gramáticos, professores e informatas desavisados — é substituído por uma sedução da escrita. Ao criar seu blog, o adolescente, sem descuidar do ambiente gráfico-visual, redescobre a mediação da palavra escrita e, mais do que isso, experimenta como essa palavra pode ser espelho e formadora de sua própria personalidade. A praticidade com que se constroem blogs e a facilidade, oferecida por diversos sites, de se ter um lugar na Web atraem os que não têm tempo a perder estudando a linguagem técnica da informática.
Ao que parece, o blog faz um recorte peculiar — mais um, entre tantos — no vasto ambiente digital. Não se pode esquecer que o micro, com todos os seus recursos, é uma multiplicidade de meios e traz implícita uma particular estética. Ao contrário dos antigos diários — com os quais os blogs costumam ser comparados —, estes últimos se apresentam mais diversos entre si, libertos da linearidade do manuscrito ou da página datilografada. Como em outros lugares do mundo digital, há uma pressão e um labor estéticos e um novo arranjo organizacional. Noutras palavras, a interface gráfica, com maiores ou menores sucessos, é um imperativo da ecologia digital. Aqui, talvez, uma nova liberdade busque desesperadamente o caminho da beleza. Certos blogs até parecem com os antigos diários — e isso é uma opção subjetiva e menos usual —, mas a diferença central entre os dois é que no diário você escreve para se ler e no blog para que os outros o leiam. A alta interatividade entre o leitor e o autor é uma marca do texto intrinsecamente ligada ao meio digital, inimaginável nos veículos impressos. Abaixo de cada post (cada mensagem postada), o blog dispõe de um link para quem quiser comentar, criticar, elogiar, etc. Os próprios comentários podem servir de mote para outros textos.
Mas, voltando aos blogs enquanto textos, também podemos percebê-los como um efervescente laboratório lingüístico-literário. E é justamente aí que se pode vislumbrar a gestação do novo. Teste, ensaio, experimento, transgressão — nomes que ecoam liberdade e criação — são outras tantas palavras para blog. Todavia, no meio dessa massa volátil, há uma fermentação — algo de inovador está acontecendo. Não por acaso, alguns blogs estão virando livros impressos e, de alguma forma, literatura, para que atinjam um outro público. Não obstante isso, seria temerário afirmar que tais livros sejam simples corolários de um blog bem-sucedido. Não seriam uma mera transposição; seriam, sim, uma metamorfose, o que implica reconhecer as características próprias ao meio impresso.
O melhor que o blog parece trazer para a prática da língua é esse híbrido de ludicidade e de personalismo, esse compromisso com a sua própria imanência. Em meio ao oceano coletivo e tantas vezes anônimo da Web, a subjetividade dos blogs aflora como ilhas em que tanto a fantasia como a mais radical verdade crescem como uma luxuriante vegetação.
Paulo Gustavo é Mestre em Teoria da Literatura e escritor.
Dimitri Acioly é poeta e estudante de jornalismo.
Ambos somos blogueiros.
Pedala, Robinho!!
A nova moda na sociedade brasileira vem de uma expressão usada pelo locutor da Rede Globo de TV Galvão Bueno para homenagear os dribles de Robinho, jogador do Santos e da Seleção Brasileira. Uma “pedalada” consiste em passar as pernas, alternadamente, por cima da bola na frente do adversário e finalizando com um drible. Uma jogada bonita.

Outra “homenagem” a esse jogador foi feita pela equipe do Pânico Na TV, exibido pela Redetv. Nesse quadro, um anão negro faz o papel de Robinho, vestido com o uniforme da Seleção e dando umas “pedaladas”. Até aí tudo bem, mas o problema é que ele dá as pedaladas logo após uma pessoa parodiando o apresentador Milton Neves dar uma tapa na sua nuca e dizer a célebre frase “Pedala, Robinho!”
O quadro virou febre nacional e é muito comum encontrar gente por aí fazendo gracinha e falando a frase aos quatro ventos. Até o próprio Robinho já virou alvo da brincadeira, sendo sacaneado pelos colegas da Seleção. Mas achou tudo muito engraçado. As pessoas que têm MSN Messenger (ou seja, todo mundo) podem até achar emoticons temáticos do “pedala, Robinho!”. Mas o que os anões acham disso?
Não duvido nada que muitos dos nossos “amigos verticalmente modestos” já foram alvos de um “pedala, robinho”. No começo, devem compartilhar a opinião de que é tudo muito engraçado, mas depois de um tempo isso cansa. Toda brincadeira que é repetida várias vezes acaba por perder a graça. Não é por que um anão não se importa de se humilhar para aparecer na televisão que todos os outros também o fariam.
Um “pedala, Robinho!” pode ser engraçado, mas a repetição a brincadeira a faz perder a graça. Além de ser um desrespeito aos anões. Mas a parte boa disso tudo é que quanto mais uma brincadeira é feita, mais rapidamente as pessoas não acharão graça. É só ver o caso do “sanduíche-iche”.
Oito artistas de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro integram a exposição “Umas-grafias”

Até 16 de julho a galeria Amparo 60, no Pina, cedia a exposição “Umas-grafias”, que reúne obras de oito artistas plásticos contemporâneos sob a curadoria de Cristiana Tejo. Os grafismos, seja em mapas, textos ou outras formas de representação visual, são o elo temático da mostra.
Toda montada em um único ambiente, a coletiva traz exemplos da produção mais recente dos pernambucanos José Paulo, Rodrigo Braga e Flávio Emanuel, dos paraibanos José Rufino e Alice Vinagre e dos cariocas Malu Fatorelli e Felipe Barbosa.
Objetos, instalações, pinturas, substratos de performances. Merece destaque a obra “Telemarketing Lover”, na qual Flávio Emanuel imprime sobre uma grande tela as últimas impressões de um projeto que o levou a questionar a impessoalidade dos serviços de atendimento ao consumidor. Já Rodrigo Braga brinca com as estruturas da moda e constrói pesados “colares” em madeira maciça e chumbo.
A sintonia entre propostas a primeira vista tão dissonantes foi idealizada por Cristiana Tejo, que encara o trabalho como advindo da necessidade de organização e atribuição de uma linha lógica próprias do curador. O direcionamento é dado, o que não impede as várias interpretações por parte do público.
O diálogo entre leituras e a formação de público, aliás, foram enfoques do projeto “Umas grafias”. Na última quarta-feira (15), cinco dos oito artistas integrantes da mostra expuseram suas motivações criativas num bate-papo informal aberto a quem quisesse comparecer. Como esperado, a lista de presenças foi curta, o que não invalida, mas fortifica a iniciativa do encontro.
Serviço
Exposição Umas-Grafias
Quando: até 16 de julho
Onde: Amparo 60 Galeria de Arte (Av. Domingos Ferreira, 62, Pina)
Informações: 3325-4728
Além do 12 de junho ser o Dia dos Namorados, é também o Dia Mundial de Erradicação do Trabalho Infantil. No Brasil, 2,7 milhões de crianças e adolescentes entre cinco e 15 anos são utilizadas como mão-de-obra, em trabalhos muitas vezes perigosos e degradantes.
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